Arquitetura MARKETING
A produção voltada para atender às incorporadoras.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
sábado, 20 de junho de 2009
O lugar dos arquitetos
O Marketing assume o papel anteriormente desempenhado no campo onde tradicionalmente se desenvolveu a função social da Arquitetura, instrumentalizado e apto a propor formas e imagens, posicionando seu produto e sua empresa no mercado.
Ao arquiteto cabe a tarefa de incorporar ao projeto o conjunto de dados sintetizados – o “briefing” no linguajar publicitário – e preparados pelo departamento de marketing relatando um conjunto de características e atributos diferenciais que devem constar na elaboração do projeto. O orçamento para o Marketing nas incorporadoras de São Paulo já ultrapassa 5% do valor geral de venda dos novos empreendimentos, enquanto que o trabalho do arquiteto não chega a 1,5%.
“Houve uma alteração brutal no perfíl dos arquitetos dos escritórios de arquitetura que são usados pelo Mercado Imobiliário. Antigamente o arquiteto era o cara que dizia como ia ser a área de lazer e todo mundo tinha que obedecer, porque ele dizia: “Isso aqui quem entende sou eu, isso aqui é minha área, Arquitetura”. Hoje em hipótese alguma você pode fazer isso. Nenhum arquiteto hoje, até os mais renomados arquitetos hoje no mercado imobiliário, eles não fazem isso: eles trabalham em função daquilo que nós pedimos para eles fazerem em função do “briefing” que nós passamos. (…) porque o nosso “briefing” é em função daquilo que o Mercado quer, e não da vontade nem do arquiteto, nem da vontade nossa como empresário”.
Eduardo Machado – Diretor Comercial da Cyrela; in Costa, 2002.
As empresas possuem arquitetos que se ocupam da negociação, gerenciamento e ajustes necessários ao projeto visando a adaptação ao “briefing” idealizado. Em alguns casos extremos, arquitetos reconhecidos são contratados para agregar valor ao projeto, utilizando seu renome como uma espécie de “grife”.
As diversas facetas da relação de prestação de serviço arquiteto x incorporadora foram discutidas por entrevistados desta pesquisa:
“As incorporadoras imobiliárias normalmente procuram ter uma relação com o mercado que passa muito por essa visão de vendas. Por isso aquela história toda da parceria de uma incorporadora com uma empresa de vendas onde eles discutem o que eles vão oferecer ao mercado e, de certa maneira, independente do arquiteto estar envolvido (...) acaba sendo uma estratégia muito mais da empresa do que exatamente uma proposta do arquiteto. É raro, existem alguns casos, mas é raro você ter realmente algo em que sai de uma iniciativa do arquiteto quanto ao que projetar, quanto ao que propor, aí, a partir desta arquitetura surgir realmente o produto imobiliário. (...) é freqüente que a incorporadora procure repetir as soluções em parte ou no todo, quer dizer aquela idéia de um certo visual que vira um carimbo daquilo que a empresa produz e isso evidentemente acaba fazendo o arquiteto repetir os seus projetos, ou parte deles pelo menos.”
Prof. Silvio Melhado – EPUSP – entrevistado por este trabalho.
“Os arquitetos estão colocados nesse sistema como escravos (...) às vezes eles trazem idéias muito boas que o mercado acaba comprando (...) é bom flexibilizar os projetos, deixar mais com a cara do jeito que a pessoa gosta e colocar de fato mais poder para os arquitetos decidirem, em vez dos marketeiros. O arquiteto tem muito mais conhecimento cultural e social para dar boas soluções”
Arq. Chico Barros – entrevistado por este trabalho.
Em entrevista para a seção Fato e Opinião da Revista AU, o arquiteto Joaquim Guedes é perguntado se é possível projetar para o mercado imobiliário sem perder autonomia na concepção do projeto:
"É absolutamente impossível. De posse da concepção inicial da obra, gerenciadoras ou administradoras expulsam os arquitetos que conceberam o projeto. Em seguida, contratam arquitetos secundários, abandonando os reais autores que deveriam continuar os detalhes do projeto executivo. Trata-se de uma operação medíocre e socialmente criminosa para ganhar mais. A arquitetura é tão importante que, em países como a Finlândia, Espanha e Alemanha, por exemplo, os projetos de obras públicas são assinados entre arquitetos e ministros de Estado. Lá não há arquitetura sem estudo preliminar e anteprojeto, que são inalienáveis pela lei federal desses países. Não há arquitetura sem autor, que está protegido pela lei. Os arquitetos brasileiros, com raras exceções, aceitam participar de concorrências de obras públicas com estudos preliminares mascarados de 'projeto básico' em burla grosseira da lei. Colegas traem colegas para trabalhar por um preço menor o que, para mim, é eticamente intolerável. E o IAB assiste a esse atentado à arte urbana sem fazer nada. Precisa agir rápida e energicamente."
Arq. Joaquim Guedes. Revista AU Edição 138 Set/2005.
“A questão da decisão é uma questão ética e política. E se os arquitetos não pensam na necessidade das transformações das relações entre os homens e a natureza, se a arquitetura não contempla estas preocupações, ela se torna uma banalidade imbecil. Os arquitetos serão tão idiotas quanto os costureiros de moda, que acabam tendo que produzir uma mulher para usar a estupidez que desenham, que é muito diferente de desenhar roupas para mulher.”
“Ela (a cidade) pode ser uma maravilha. A arquitetura como forma de conhecimento implica pensar em tudo isso, em não fazer um edifício isolado. O que pode ser uma casa popular vertical? Evidentemente o que nosso desejo seja capaz de indicar-nos porque a natureza sozinha é um estorvo e a arquitetura como mercadoria é um desastre!”
Arq. Paulo Mendes da Rocha em entrevista ao Arq. Jorge M. Jauregui.
Ao arquiteto cabe a tarefa de incorporar ao projeto o conjunto de dados sintetizados – o “briefing” no linguajar publicitário – e preparados pelo departamento de marketing relatando um conjunto de características e atributos diferenciais que devem constar na elaboração do projeto. O orçamento para o Marketing nas incorporadoras de São Paulo já ultrapassa 5% do valor geral de venda dos novos empreendimentos, enquanto que o trabalho do arquiteto não chega a 1,5%.
“Houve uma alteração brutal no perfíl dos arquitetos dos escritórios de arquitetura que são usados pelo Mercado Imobiliário. Antigamente o arquiteto era o cara que dizia como ia ser a área de lazer e todo mundo tinha que obedecer, porque ele dizia: “Isso aqui quem entende sou eu, isso aqui é minha área, Arquitetura”. Hoje em hipótese alguma você pode fazer isso. Nenhum arquiteto hoje, até os mais renomados arquitetos hoje no mercado imobiliário, eles não fazem isso: eles trabalham em função daquilo que nós pedimos para eles fazerem em função do “briefing” que nós passamos. (…) porque o nosso “briefing” é em função daquilo que o Mercado quer, e não da vontade nem do arquiteto, nem da vontade nossa como empresário”.
Eduardo Machado – Diretor Comercial da Cyrela; in Costa, 2002.
As empresas possuem arquitetos que se ocupam da negociação, gerenciamento e ajustes necessários ao projeto visando a adaptação ao “briefing” idealizado. Em alguns casos extremos, arquitetos reconhecidos são contratados para agregar valor ao projeto, utilizando seu renome como uma espécie de “grife”.
As diversas facetas da relação de prestação de serviço arquiteto x incorporadora foram discutidas por entrevistados desta pesquisa:
“As incorporadoras imobiliárias normalmente procuram ter uma relação com o mercado que passa muito por essa visão de vendas. Por isso aquela história toda da parceria de uma incorporadora com uma empresa de vendas onde eles discutem o que eles vão oferecer ao mercado e, de certa maneira, independente do arquiteto estar envolvido (...) acaba sendo uma estratégia muito mais da empresa do que exatamente uma proposta do arquiteto. É raro, existem alguns casos, mas é raro você ter realmente algo em que sai de uma iniciativa do arquiteto quanto ao que projetar, quanto ao que propor, aí, a partir desta arquitetura surgir realmente o produto imobiliário. (...) é freqüente que a incorporadora procure repetir as soluções em parte ou no todo, quer dizer aquela idéia de um certo visual que vira um carimbo daquilo que a empresa produz e isso evidentemente acaba fazendo o arquiteto repetir os seus projetos, ou parte deles pelo menos.”
Prof. Silvio Melhado – EPUSP – entrevistado por este trabalho.
“Os arquitetos estão colocados nesse sistema como escravos (...) às vezes eles trazem idéias muito boas que o mercado acaba comprando (...) é bom flexibilizar os projetos, deixar mais com a cara do jeito que a pessoa gosta e colocar de fato mais poder para os arquitetos decidirem, em vez dos marketeiros. O arquiteto tem muito mais conhecimento cultural e social para dar boas soluções”
Arq. Chico Barros – entrevistado por este trabalho.
Em entrevista para a seção Fato e Opinião da Revista AU, o arquiteto Joaquim Guedes é perguntado se é possível projetar para o mercado imobiliário sem perder autonomia na concepção do projeto:
"É absolutamente impossível. De posse da concepção inicial da obra, gerenciadoras ou administradoras expulsam os arquitetos que conceberam o projeto. Em seguida, contratam arquitetos secundários, abandonando os reais autores que deveriam continuar os detalhes do projeto executivo. Trata-se de uma operação medíocre e socialmente criminosa para ganhar mais. A arquitetura é tão importante que, em países como a Finlândia, Espanha e Alemanha, por exemplo, os projetos de obras públicas são assinados entre arquitetos e ministros de Estado. Lá não há arquitetura sem estudo preliminar e anteprojeto, que são inalienáveis pela lei federal desses países. Não há arquitetura sem autor, que está protegido pela lei. Os arquitetos brasileiros, com raras exceções, aceitam participar de concorrências de obras públicas com estudos preliminares mascarados de 'projeto básico' em burla grosseira da lei. Colegas traem colegas para trabalhar por um preço menor o que, para mim, é eticamente intolerável. E o IAB assiste a esse atentado à arte urbana sem fazer nada. Precisa agir rápida e energicamente."
Arq. Joaquim Guedes. Revista AU Edição 138 Set/2005.
“A questão da decisão é uma questão ética e política. E se os arquitetos não pensam na necessidade das transformações das relações entre os homens e a natureza, se a arquitetura não contempla estas preocupações, ela se torna uma banalidade imbecil. Os arquitetos serão tão idiotas quanto os costureiros de moda, que acabam tendo que produzir uma mulher para usar a estupidez que desenham, que é muito diferente de desenhar roupas para mulher.”
“Ela (a cidade) pode ser uma maravilha. A arquitetura como forma de conhecimento implica pensar em tudo isso, em não fazer um edifício isolado. O que pode ser uma casa popular vertical? Evidentemente o que nosso desejo seja capaz de indicar-nos porque a natureza sozinha é um estorvo e a arquitetura como mercadoria é um desastre!”
Arq. Paulo Mendes da Rocha em entrevista ao Arq. Jorge M. Jauregui.
sábado, 6 de junho de 2009
Rossi anuncia estratégia de fortalecimento
Fonte: Jornal Correio de Notícias – RS
Publicado em: 02/06/2009
A Rossi anuncia sua estratégia de fortalecimento no segmento econômico que iniciou-se em 2007, com a divulgação das linhas de produto Praças Residenciais, Villa Flora e Torres Verticais, além das metas para os próximos anos. Passados dois anos, a Rossi reforça a sua estratégia para o segmento, com divulgação do Plano Habitacional do Governo “Minha Casa, Minha Vida”, e a divulgação da nova linha de produtos “Rossi Ideal”, que tem como alvo o segmento super econômico e que se encaixa nas premissas do plano do governo.
A Rossi possui um banco de terrenos para oferta de 92 mil unidades para o segmento econômico, um número expressivo diante do potencial deste mercado. A expectativa da empresa para este ano é lançar entre 13 mil e 15 mil unidades, nas linhas Rossi Ideal, Praças, e Villa Flora. Para isto, será utilizado 41% do banco de terrenos da empresa (R$ 8,6 bilhões), um dos maiores do país com R$ 20,7 bilhões em futuros lançamentos.
A nova linha de produtos da Rossi inclui imóveis a partir de R$ 42 mil, a serem construídos em todas as regiões do país considerando o déficit habitacional brasileiro. Para atender a demanda já existente, a empresa criou uma unidade de negócios específica para este segmento, comandada pelo diretor Rodrigo Martins.
“A Rossi possui relacionamento com a Caixa há mais de 10 anos, é classificada com rating A podendo utilizar todas as linhas de financiamento e, com isso, tem condições de agilizar o processo de contratação”, diz Cassio Audi, CFO e diretor de Relações com Investidores da Rossi.
A nova linha de produtos atende a demanda criada pelo pacote habitacional do governo com financiamento de até 30 anos, subsídios do governo e taxas especiais de TR mais 4,5%.
Publicado em: 02/06/2009
A Rossi anuncia sua estratégia de fortalecimento no segmento econômico que iniciou-se em 2007, com a divulgação das linhas de produto Praças Residenciais, Villa Flora e Torres Verticais, além das metas para os próximos anos. Passados dois anos, a Rossi reforça a sua estratégia para o segmento, com divulgação do Plano Habitacional do Governo “Minha Casa, Minha Vida”, e a divulgação da nova linha de produtos “Rossi Ideal”, que tem como alvo o segmento super econômico e que se encaixa nas premissas do plano do governo.
A Rossi possui um banco de terrenos para oferta de 92 mil unidades para o segmento econômico, um número expressivo diante do potencial deste mercado. A expectativa da empresa para este ano é lançar entre 13 mil e 15 mil unidades, nas linhas Rossi Ideal, Praças, e Villa Flora. Para isto, será utilizado 41% do banco de terrenos da empresa (R$ 8,6 bilhões), um dos maiores do país com R$ 20,7 bilhões em futuros lançamentos.
A nova linha de produtos da Rossi inclui imóveis a partir de R$ 42 mil, a serem construídos em todas as regiões do país considerando o déficit habitacional brasileiro. Para atender a demanda já existente, a empresa criou uma unidade de negócios específica para este segmento, comandada pelo diretor Rodrigo Martins.
“A Rossi possui relacionamento com a Caixa há mais de 10 anos, é classificada com rating A podendo utilizar todas as linhas de financiamento e, com isso, tem condições de agilizar o processo de contratação”, diz Cassio Audi, CFO e diretor de Relações com Investidores da Rossi.
A nova linha de produtos atende a demanda criada pelo pacote habitacional do governo com financiamento de até 30 anos, subsídios do governo e taxas especiais de TR mais 4,5%.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Kassab cria companhia para captar dinheiro para obras
Empresa poderá vender imóveis do município avaliados em R$ 300 milhões
Secretário estadual de Assistência Social ficará encarregado de montar a companhia, e seu cargo será destinado ao PV
São Paulo, sexta-feira, 22 de maio de 2009
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL FSP
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), criou uma empresa para captar recursos para a prefeitura. A nova companhia ficará com o patrimônio do município para eventual venda ou uso como garantia para empréstimos.
A empresa será presidida pelo secretário estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Rogério Amato, que deixará o governo José Serra (PSDB) para montar a companhia.
O papel da empresa será a captação de investimentos, num momento em que a crise econômica abala os cofres da prefeitura. No primeiro quadrimestre, o município teve perda real de arrecadação de 1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em meio à crise, a ideia é assegurar o cumprimento de promessas de Kassab, como a criação de 400 creches na cidade.
A criação da empresa foi autorizada em 2007 pela Câmara Municipal. Para ela serão transferidos imóveis do município avaliados em R$ 300 milhões. A companhia terá ainda um reforço de mais de R$ 1 bilhão de créditos que a prefeitura tem a receber.
A prefeitura poderá vender os imóveis. O dinheiro recebido poderá ser aplicado diretamente em obras ou como garantia nos projetos em PPPs (Parceria Público-Privada).
Mesmo que não sejam vendidos, esses imóveis servem de lastro para as parcerias. São a segurança de que o município poderá honrar seu compromisso nas PPPs.
Além disso, a companhia poderá obter empréstimos dando como garantia créditos que a prefeitura tem a receber. O município pode, por exemplo, usar títulos da União, que só deverão ser pagos no futuro. Ao antecipar a venda, a prefeitura arrecada menos do que oficialmente eles valem.
Essa operação possibilita que a prefeitura contraia dívida acima do limite fixado pela lei. Mas, para isso, também há um teto: de até 1% da arrecadação do município.
O projeto de criação da companhia foi enviado à Câmara na gestão de José Serra, antecessor de Kassab na prefeitura. À época, a intenção era vender os imóveis para pagamento de fornecedores do município.
O diretor do conselho da Agência Estadual de Desenvolvimento, Cláudio Vaz, também trabalhará na companhia, que ficará subordinada à Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social.
A cadeira de Rogério Amato na secretaria que ocupa hoje será destinada ao PV. Apesar da boa relação com o secretário, o governador José Serra aproveitará a mudança para acomodar os verdes no seu gabinete.
Potencial candidato ao Planalto, Serra poderá atrair um aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário nacional para seu governo.
Como funciona:
1- a empresa - a companhia de mobilização de ativos vai herdar o patrimônio da prefeitura para eventual venda ou uso como garantia de empréstimo
2- rec. financeiros - serão transferidos para a companhia imóveis do municíio avaliados em 300 mi mais 1 bi de créditos que a prefeitura tem a receber
3- Venda - os imóveis podem ser vendidos, e o dinehrio poderá ser aplicado diretamente em obras ou como garantia aos projetos em PPPs (Parceria Público-Privada)
4 - Debêntures - a cia. também pode obter empréstimos dando como garantia o 1 bi em créditos que a prefeitura tem a receber
Risco da operação:
>> O Municipio irá se endividar ainda mais porque terá de pagar os investidores mesmo se não receber as dívidas
>> as dívidas extras não serão contabilizadas pela Prefeitura, mas pela empresa mista, portanto, fora do alcance da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Secretário estadual de Assistência Social ficará encarregado de montar a companhia, e seu cargo será destinado ao PV
São Paulo, sexta-feira, 22 de maio de 2009
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL FSP
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), criou uma empresa para captar recursos para a prefeitura. A nova companhia ficará com o patrimônio do município para eventual venda ou uso como garantia para empréstimos.
A empresa será presidida pelo secretário estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Rogério Amato, que deixará o governo José Serra (PSDB) para montar a companhia.
O papel da empresa será a captação de investimentos, num momento em que a crise econômica abala os cofres da prefeitura. No primeiro quadrimestre, o município teve perda real de arrecadação de 1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em meio à crise, a ideia é assegurar o cumprimento de promessas de Kassab, como a criação de 400 creches na cidade.
A criação da empresa foi autorizada em 2007 pela Câmara Municipal. Para ela serão transferidos imóveis do município avaliados em R$ 300 milhões. A companhia terá ainda um reforço de mais de R$ 1 bilhão de créditos que a prefeitura tem a receber.
A prefeitura poderá vender os imóveis. O dinheiro recebido poderá ser aplicado diretamente em obras ou como garantia nos projetos em PPPs (Parceria Público-Privada).
Mesmo que não sejam vendidos, esses imóveis servem de lastro para as parcerias. São a segurança de que o município poderá honrar seu compromisso nas PPPs.
Além disso, a companhia poderá obter empréstimos dando como garantia créditos que a prefeitura tem a receber. O município pode, por exemplo, usar títulos da União, que só deverão ser pagos no futuro. Ao antecipar a venda, a prefeitura arrecada menos do que oficialmente eles valem.
Essa operação possibilita que a prefeitura contraia dívida acima do limite fixado pela lei. Mas, para isso, também há um teto: de até 1% da arrecadação do município.
O projeto de criação da companhia foi enviado à Câmara na gestão de José Serra, antecessor de Kassab na prefeitura. À época, a intenção era vender os imóveis para pagamento de fornecedores do município.
O diretor do conselho da Agência Estadual de Desenvolvimento, Cláudio Vaz, também trabalhará na companhia, que ficará subordinada à Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social.
A cadeira de Rogério Amato na secretaria que ocupa hoje será destinada ao PV. Apesar da boa relação com o secretário, o governador José Serra aproveitará a mudança para acomodar os verdes no seu gabinete.
Potencial candidato ao Planalto, Serra poderá atrair um aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário nacional para seu governo.
Como funciona:
1- a empresa - a companhia de mobilização de ativos vai herdar o patrimônio da prefeitura para eventual venda ou uso como garantia de empréstimo
2- rec. financeiros - serão transferidos para a companhia imóveis do municíio avaliados em 300 mi mais 1 bi de créditos que a prefeitura tem a receber
3- Venda - os imóveis podem ser vendidos, e o dinehrio poderá ser aplicado diretamente em obras ou como garantia aos projetos em PPPs (Parceria Público-Privada)
4 - Debêntures - a cia. também pode obter empréstimos dando como garantia o 1 bi em créditos que a prefeitura tem a receber
Risco da operação:
>> O Municipio irá se endividar ainda mais porque terá de pagar os investidores mesmo se não receber as dívidas
>> as dívidas extras não serão contabilizadas pela Prefeitura, mas pela empresa mista, portanto, fora do alcance da Lei de Responsabilidade Fiscal.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Construtoras receberão até 30% a mais por casa popular
15/04/2009 - 09h52
LEANDRA PERES
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O governo reajustou em até 30% o valor que pagará às construtoras que fizerem apartamentos para a população com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), dentro do programa habitacional que promete entregar 1 milhão de moradias. Nas casas, o reajuste chega a até 20%.
No programa que existia anteriormente, o PAR (Programa de Arrendamento Residencial), foram feitas somente 268 mil casas em dez anos. Um dos principais motivos para o programa não ter decolado foi o preço pago pela União às construtoras para que fizessem os imóveis.
"Antes, os preços pagos eram muito baixos, não tinha como construir. Agora, estão bem razoáveis", disse o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady Simão.
Os maiores aumentos foram nos municípios paulistas de Jundiaí, São José dos Campos e Jacareí e também abrangeram o Distrito Federal e cidades do entorno da capital.
Nessas cidades, um imóvel, que no programa anterior era adquirido por R$ 40 mil, passará a ser comprado pela União por R$ 52 mil.
Em outros municípios, como Fortaleza e sua região metropolitana, a correção foi de 25% em relação ao programa que existia anteriormente. Na maior parte do país, o reajuste das construtoras foi de 14% para a construção de apartamentos e de 3% para a de casas.
O menor valor a ser pago, proporcionalmente, será na cidade do Rio de Janeiro. Antes, o montante previsto era de R$ 48 mil. Pela nova tabela, os valores passam a ser de R$ 51 mil (apartamento) e R$ 47 mil (casa).
Para o presidente da CBIC, não é possível comparar os valores pagos no novo programa àqueles do PAR.
No novo pacote habitacional, há redução de custos: o governo baixou impostos para as construtoras de 7% para 1% e também cortou as tarifas de registro em cartório em mais de 75%.
Isso aumenta ainda mais a remuneração das construtoras, uma vez que no programa anterior esses custos estavam incluídos no valor de compra da casa pelo governo.
Para acelerar as primeiras obras do pacote habitacional, o governo considerou como imóveis novos as construções que receberam"habite-se" depois de 26 de março, data de lançamento do programa.
Com isso, apartamentos e casas que não eram destinados ao programa e puderem ser adaptados passarão a receber subsídio do governo. Simão acredita que o efeito será pequeno, pois poucas unidades irão se adequar às especificações do programa federal.
100 mil habitantes
Apesar de não haver restrito as obras do programa aos municípios como mais de 100 mil habitantes, como previsto originalmente, as regras de funcionamento definidas pelo governo continuarão, na prática, privilegiando essas cidades. É que o principal critério de distribuição das casas continuará sendo o déficit habitacional, maior nas capitais e nas regiões metropolitanas. O pacote habitacional prevê a construção de casas térreas com área de 35 m2 e apartamentos de 42 m2.
LEANDRA PERES
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O governo reajustou em até 30% o valor que pagará às construtoras que fizerem apartamentos para a população com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), dentro do programa habitacional que promete entregar 1 milhão de moradias. Nas casas, o reajuste chega a até 20%.
No programa que existia anteriormente, o PAR (Programa de Arrendamento Residencial), foram feitas somente 268 mil casas em dez anos. Um dos principais motivos para o programa não ter decolado foi o preço pago pela União às construtoras para que fizessem os imóveis.
"Antes, os preços pagos eram muito baixos, não tinha como construir. Agora, estão bem razoáveis", disse o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady Simão.
Os maiores aumentos foram nos municípios paulistas de Jundiaí, São José dos Campos e Jacareí e também abrangeram o Distrito Federal e cidades do entorno da capital.
Nessas cidades, um imóvel, que no programa anterior era adquirido por R$ 40 mil, passará a ser comprado pela União por R$ 52 mil.
Em outros municípios, como Fortaleza e sua região metropolitana, a correção foi de 25% em relação ao programa que existia anteriormente. Na maior parte do país, o reajuste das construtoras foi de 14% para a construção de apartamentos e de 3% para a de casas.
O menor valor a ser pago, proporcionalmente, será na cidade do Rio de Janeiro. Antes, o montante previsto era de R$ 48 mil. Pela nova tabela, os valores passam a ser de R$ 51 mil (apartamento) e R$ 47 mil (casa).
Para o presidente da CBIC, não é possível comparar os valores pagos no novo programa àqueles do PAR.
No novo pacote habitacional, há redução de custos: o governo baixou impostos para as construtoras de 7% para 1% e também cortou as tarifas de registro em cartório em mais de 75%.
Isso aumenta ainda mais a remuneração das construtoras, uma vez que no programa anterior esses custos estavam incluídos no valor de compra da casa pelo governo.
Para acelerar as primeiras obras do pacote habitacional, o governo considerou como imóveis novos as construções que receberam"habite-se" depois de 26 de março, data de lançamento do programa.
Com isso, apartamentos e casas que não eram destinados ao programa e puderem ser adaptados passarão a receber subsídio do governo. Simão acredita que o efeito será pequeno, pois poucas unidades irão se adequar às especificações do programa federal.
100 mil habitantes
Apesar de não haver restrito as obras do programa aos municípios como mais de 100 mil habitantes, como previsto originalmente, as regras de funcionamento definidas pelo governo continuarão, na prática, privilegiando essas cidades. É que o principal critério de distribuição das casas continuará sendo o déficit habitacional, maior nas capitais e nas regiões metropolitanas. O pacote habitacional prevê a construção de casas térreas com área de 35 m2 e apartamentos de 42 m2.
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